Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Jul 06

É verdade, deixei de fumar! Quer dizer, deixei mas já voltei, porque me apercebi do enorme erro que tinha cometido. Tudo começou à uns tempos, em que decidi que haveria de abandonar este velho hábito de inalar fumo de forma propositada.

Quinta-feira passada foi o dia escolhido para, pela primeira vez (e espero que única), começar um dia novo sem a companhia dos cigarros. Sexta-feira à tarde já me tinha apercebido que tinha errado, mas mesmo assim ia ver o que dava. Sábado já era um facto consumado, tinha de voltar a fumar, não por não conseguir deixar o vicio, mas sim por deixar o prazer.

Eu entendo perfeitamente a ideia de nos esforçarmos para atingir algo, se ficarmos quietos nada acontece garanto-vos, agora esforçar-me para não ter prazer não passa de um acto masoquista.

Apercebi-me que controlo melhor o vicio do que aquilo que imaginava, afinal posso passar várias horas, até dias sem tocar na chicha, mas nunca mais fumar é que nem pensar. Até porque nem fumo muito e desde que "deixei" ainda nem fumei meia dúzia deles.

A única coisa que me deu ânsias e nervos foi a simples ideia de nunca mais pegar num cigarro, de não poder desfrutar esse momento de prazer, daquela companhia, do fabuloso momento de apreciar a vida enquanto a brasa arde entre os nossos dedos. Isso não, isso não me podem tirar.

Nestes últimos dias percorreram-me a mente episódios passados como tertúlias com amigos, jogos da bola, momentos de solidão, boas refeições, cervejas frescas no Verão e ginjas no Inverno, noites mal dormidas mas muito bem passadas, e tudo isso com um cigarro nas mãos.

Agora entendo o que queria transmitir Camacho Costa quando, sem cabelo e com a voz rouca, consumido por um cancro, a pouco tempo da sua despedida, disse que não se arrependia de nada pois foram muitos os prazeres que teve e que se tem de ser assim que assim seja.

Não é minha intenção levar ninguém que nunca tenha fumado a começar tão horrível vicio, porque é um facto que faz mal de todas as maneiras que nós sabemos, até aí nada de novo. Mas dá-me prazer, e nesta vida se não tivermos prazer outra coisa vos garanto, não temos nada.

publicado por Velho Jarreta às 21:21

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