Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Abr 06

Desde de miúdo que adoro marketing. Entender como se comporta neste campo a psique humana sempre me fascinou. E é conhecido no mundo da publicidade que as palavras que mais fazem vender são "sexo" e "grátis". Deixando a rebarbadice de lado, vamos focar-nos no segundo aspecto. O facto de podermos levar algo em que não tenhamos de abrir os cordões à bolsa é levado a extremos neste país. Quantas vezes um de nós não assistiu ao triste espectáculo , onde à saída da praia ou à porta de um hipermercado, se oferecem, de forma indiscriminada, amostras de um qualquer tipo de produto? À primeira vista poderíamos supor que estaria ali o Simão Sabrosa a dar autógrafos, ou que um gajo qualquer teria tido um ataque cardíaco e que estava tudo à volta a tentar reanimá-lo. Nada de mais errado. É sim uma moça, com um saco de plástico preto que tem o dobro do tamanho dela, a oferecer pequenos pacotes de batatas fritas. À volta dela está uma multidão eufórica que estende os braços, como se fosse tocar numa qualquer divindade e conseguir daí a salvação eterna, na esperança de conseguir um mísero pacotinho. Se passamos ali com um grupo de amigos há sempre alguém, muitas vezes somos nós próprios, que diz "Espera aí que eu também quero. Já viste que é à pála ?". Como se fosse um insulto recusar, pois como é obvio é à borla. Depois de perdermos uns preciosos minutos , onde estivemos a levar com uma mulher, gorda que nem um pote, caída em cima de nós, pois ela também queria batatas (pouco lhe interessa que se comer aquele pacote o seu colesterol atinja marcos históricos, ela quer é o raio das batatas como toda a gente), finalmente já podemos avançar. Quando avançamos uns metros , começa outro triste espectáculo , que é o começarmos a dar pontapés em algo, que não sabemos o quê, olhamos e para nosso espanto… são pacotes de batatas fritas. Os próximos 12 caixotes de lixo, e respectiva área circundante, estão afogados em… adivinharam pacotes de batatas fritas. Enquanto abrandamos para nos enojarmos com tamanha javardice , passa a mulher que esteve em cima de nós, com os braços cheios (para não variar de batatas fritas) a berrar " Ó Octávio vai lá buscar tu também que são à borla!".

Isto só demonstra uma coisa, somos um povo de alarves, umas bestas autenticas. Podemos nem gostar do que estão a dar mais jamais iremos recusar pois é à borla. E como tal é uma obrigação social ir carregado com aquilo, nem que seja só um bocado, e dizer "Mas que bela merda . Se ao menos fossem das com sabor a presunto. Essas sim, são boas. Aposto que estão a dar porque está próximo do prazo de validade. Estes gajos são sempre a mesma coisa. Vai já pó caixote do lixo."

publicado por Velho Jarreta às 15:56

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