Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Out 08

Reencarnar não tem nada a ver com pintar uma casa em encarnado e dar-lhe uma segunda demão. Muito menos em comer dois pratos de carne a uma refeição, do género de pedir uns Rojões à Minhota como primeiro prato no lugar da pescada cozida e colocar em cima disso uma posta Mirandesa. Por incrível que pareça também não é o acto de nos mudarmos para o bairro da Encarnação após lá ter vivido numa fase anterior da nossa vida. Nem em alguém se fazer sócio do Benfica uma vez mais depois de ter passado os últimos anos sem pagar quotas, sempre a dizer que não andava aqui para sustentar chulos e que não jogavam um caralho. Mas que agora como temos o Reyes, o Aimar e companhia tudo vai mudar e até os comemos. Lamento informar mas é algo completamente diferente.

A ideia base da reencarnação é que após a morte a nossa alma irá encarnar noutra forma. Ou seja a nossa consciência entra para dentro de outro corpo e prossegue o seu caminho. Parece-me ser uma grande treta mas para já parece-me bem, pelo menos de um ponto de vista masculino. Nós homens passamos a nossa efémera existência a tentar entrar noutros corpos. Porque não fazê-lo para a eternidade? Assim nem se estranhava muito a próxima vida e já que morremos ao menos que tenhamos direito a um orgasmo para compensar a tristeza.

Apesar da ideia altamente apelativa, levantam-se questões. Primeiro que tudo. Se a nossa consciência volta ao activo porque é que nunca nos lembramos da vida passada? Alguém deve formatar as memórias às portas do céu. Provavelmente quem está responsável pelo estado das almas é a mesma empresa que trata todos os anos das colocações dos professores. Por um lado é bom. Aquilo que perdemos em experiência ganhamos em paciência. Se uma pessoa aos 70 anos já resmunga por tudo e por nada imaginem com 700 ou 800 anos. Aí seria impossível de aturar. Bastava o ouvir de um simples “Bom dia” para sacarmos da bengala e vazarmos uma vista a quem quer que atravessasse à nossa frente.

Outra coisa que me incomoda é o facto de quando alguém se refere à sua vida passada afirmar piamente que foi uma figura altamente ilustre. Toda a gente foi o Napoleão, o Gandhi ou o gajo que inventou os post-its. Porque é que nunca se ouve dizer que noutra vida alguém foi estucador? Também ninguém diz que na sua anterior experiência de vida era um prostituo vietnamita que morreu de sífilis nas ruas de Xangai após um mercador tailandês lhe ter trucidado o rabo e deixado ao abandono. E alguém teve que ser.

Em consequência da anterior questão surge-me outra. Não, esqueçam o prostituto vietnamita. A minha questão é, como é que se sabe quem fomos noutra vida? Não dá para irmos à Torre do Tombo ou ao registo civil percorrer a árvore genealógica das regressões. Aposto que nem os horóscopos dos jornais diários, na sua infinita sabedoria, terão resposta para tal questão.

Realmente são muitas as incógnitas que se colocam e uma acima de todas. O que será feito da alma do prostituo vietnamita? Espero bem não me ter calhado a mim. Já me bastam os problemas que tenho quanto mais carregar o karma de uma vida de degredo no Extremo Oriente.

 

publicado por Velho Jarreta às 17:04

2 comentários:
Belo assunto, mas segundo reza a "estória" ou "teoria" ou seja o que for, a reencarnação pode ser feita não só de humano para humano, mas para qualquer ser vivo. Se pensares bem nisso, há por ai uns animais que sinceramente mais valia ponderar a cena do prostituto...
Muito bom a hipótese de ser feito um format ás portas do céu, acho que foi uma abordagem que ainda não foi feita, tecnologia Vs religião.
Nunca ninguém pensa, mas o nosso senhor lá do alto (ou do baixo, dependendo da adoração) podia ser um enorme computador. Sei que a ideia não é original, os brothers Wachowski lá se lembraram de algo semelhante e com melhores efeitos especiais, mas fica uma ideia...
Piri a 22 de Outubro de 2008 às 10:56

Acredito piamente nessa ideia de que a nossa alma viaja de humanos (ou humanóides no caso de alguns senhores) para animais irracionais e vice-versa.
Para além de ter um efeito estrondoso nas raparigas, dizer que outrora fui um panda é carinhoso, tem o seu quê de sentido quando me apetece apenas sentar no sofá a ver as coisas passarem e comer folhas de alface. Mais sentido faz quando me apetece fazer isto a vida inteira.
Claro que isto deita por terra a teoria da formatação da "alma" às portas do purgatório, ou então "a morte" devia arranjar um bom técnico para lá ir a "casa" arranjar a máquina... :/
Suricata a 22 de Outubro de 2008 às 14:37

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