Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Os Motorhead. O que seria da vida sem os Motorhead? Aquela voz doce do Lemmy de quem acaba de acordar bebe uma garrafa de bourbon e fuma dois maços de tabaco. O ritmo suave, quase de embalar, de uma bateria que mais parece artilharia antiaérea a fazer fogo a tudo o que mexe. O ar carinhoso de uma banda que te parece dizer “Vou-te foder essa boca toda, só porque existes e só porque me apetece.”.

Imaginem que vem aí o fim do mundo. Uma pessoa vai à janela e lá está o cenário esperado. A chuva de fogo, a praga de gafanhotos, os corpos desventrados e os quatro cavaleiros do Apocalipse a virem na nossa direcção para nos convencerem de que a Herbalife é o negócio da nossa vida. Até aqui tudo bem mas se por acaso não estiver a dar o Ace Of Spades dos Motorhead, ai eu garanto que me vou chatear. À vou mesmo.

É daquelas músicas que basta surgirem os primeiros sons e sabemos imediatamente que vai haver merda. Só pode. Não imagino outra razão para ouvir Motorhead que não seja o profundo desejo de escavacar tudo aquilo que mexe e especialmente aquilo que não mexe. Ficar parado é como negar a sua própria existência e pedir para levar nos cornos. É assumir a sua condição eterna de totó e abdicar de qualquer aspiração na vida para além de ganhar torneios de xadrez online. É declarar-se como um banana, um mero objecto nas mãos de qualquer um para a satisfação pessoal, sexual e outras coisa bem mais marotas acabadas em “al”.

Se o Hitler ou o Napoleão tivessem tido os Motorhead em vez daquelas bandas merdosas a tocar marchas militares tinham conquistado a Rússia em três tempos. Ainda a música ia meio e já estavam nas estepes da Sibéria a mandar cacetadas em morsas e leões-marinhos.

Nada me tira da cabeça que a aldeia gaulesa resistiu tanto tempo porque os Motorhead já lá estavam. Poção mágica? Panoramix? Por amor de Deus, alguém acredita numa coisa dessas? Era sim o poder supremo do punk-rock que dava aos gauleses super-poderes para poderem aviar em tudo o que era romano. Aliás, se virem bem o vídeo hão de reparar que o baterista é o próprio Obélix. Só lhe falta mesmo é o menir.

Mas nada como sentir a força destruidora dos próprios Motorhead. Lancemos a carta da morte em cima da mesa e lá vai alho. Minhas senhoras e meus senhores: Ace Of Spades

 

If you like to gamble, I tell you I'm your man
You win some, lose some, it's -all- the same to me
The pleasure is to play, it makes no difference what you say
I don't share your greed, the only card I need is
The Ace Of Spades
The Ace Of Spades

Playing for the high one, dicing with the devil,
Going with the flow, it's all a game to me,
Seven or Eleven, snake eyes watching you,
Double up or quit, double stake or split,
The Ace Of Spades
The Ace Of Spades

You know I'm born to lose, and gambling's for fools,
But that's the way I like it baby,
I don't wanna live for ever,
And don't forget the joker!

Pushing up the ante, I know you've got to see me,
Read 'em and weep, the dead man's hand again,
I see it in your eyes, take one look and die,
The only thing you see, you know it's gonna be,
The Ace Of Spades
The Ace Of Spades

publicado por Velho Jarreta às 17:04

2 comentários:
Que delícia a forma como escreves :-)
Ainda por cima, não paro de alargar os meus horizontes culturais com os teus posts...hehe
Motorhead??? Como é possível dizer que vivi sem ter conhecido este grupo tão ... melodioso? ;-)
Continua, pleaaase...

Um beijinho (já sou visita assídua, atrevo-me a uma pequena demonstração de afecto :-))

Sylvie
Sylvie a 8 de Outubro de 2008 às 22:15

Já faltava a menção honrosa á música que não deixa ninguém indiferente e enquanto dura, só nos passa em rodapé na nossa cabeça, violência e uma vontade enorme de partir tudo !!
Piri a 9 de Outubro de 2008 às 14:00

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