Março de 2006 - Janeiro de 2009

31
Out 08

Homens e mulheres nunca se irão entender. Passe o tempo que passar, é daqueles assuntos que parece estar sempre na estaca zero. Tipo processo Casa Pia mas sem miúdos a levar no cu. Eu garanto-vos que se dedicasse o blog exclusivamente a este tema teria assunto até ao fim dos meus dias. E sem chegar a conclusão alguma.

O fundamental de todas as divergências centra-se quase sempre na dificuldade em perceber as atitudes do outro. Porque é que fizes-te isso? Porque é que gostas daquilo? Já te disse para não cagares no bidé! Seja lá o que for, há sempre tema de discórdia.

E depois há quem se admire que os casais discutam permanentemente. Claro que discutem, o que é que queriam que fizessem? As pessoas juntam-se para terem alguém com quem foder e discutir. O que é que preferiam? Ver um casal vosso amigo a discutirem quem é o mais desarrumado lá em casa ou à pinócada em cima da mesa do café? Também eu, mas é um sítio público e haja respeito.

Se as pessoas pudessem foder e discutir sozinhas nunca se juntavam. Se um gajo andar o dia todo a bater à punheta e a argumentar com os seus botões é tudo menos um cidadão saudável. Logo, é bem preferível arranjar alguém que partilhe do mesmo ideal de vida e viver feliz para sempre.

Fode-se e discute-se. Fode-se e discute-se e andamos nisto. Com o passar dos tempos a relação de forças entre ambas as actividades vai-se alterando. Cada vez se discute mais e cada vez se fode menos. O próprio tempo dispendido em cada acto é também diferente. Há energia para passar uma tarde inteira a discutir quem é que deixou a torneira a pingar mas jamais alguém vai perder mais que quinze minutos numa queca quando amanhã é dia de trabalho e já está tudo cheio de sono.

Mas pior que tudo isto é não discutir. Um casal que não discute não passa de um duo de atrasados mentais. Parecem um par de jarras a enfeitar uma cómoda. Ali estão, dois monos a ganhar pó. À espera que a morte os leve porque daqui, já pouco se pode esperar. Estes casais são quase sempre fáceis de detectar. Primeiro que tudo são pessoas com quem nunca queríamos ir para a cama. Gente com a sensualidade de uma repartição de Finanças e o ar jovial de uma cabeça de perdiz embalsamada. Que pouco falam e aquilo que dizem não tem pôrra de interesse. E que de certeza que não fodem. Pelo menos não merecem. O sexo é como tudo na vida, não é de graça e exige esforço e trabalho.

Se alguém vos disser que não discute com a sua cara-metade e que todos os dias lhe diz que o amor quem tem por ela é maior que o Universo, respondam imediatamente “Vai pó caralho!”. No caso de não provocar uma forte reacção na amiba que vos dirigiu tal comentário, acentuem este acto com uma valente chapada no focinho. Só para marcar presença.

É que ninguém faz isso. Ou vos estão a dar uma grande treta (o que é o mais provável) ou vivem num mundo de ilusão que faz parecer o país das Maravilhas um antro de sobriedade. Em todo o caso não se esqueçam da chapada no focinho e procurem o vosso amor. Mais vale andar a discutir com quem se gosta do que andar a aturar malucos.

publicado por Velho Jarreta às 19:47

30
Out 08

Desde que Salazar abandonou a Presidência dos Concelho de Ministros à 40 anos atrás que a palavra crise é figura de relevância no vocabulário dos portugueses. Basta perguntar a qualquer comerciante como vai o negócio e resposta é invariavelmente a mesma. Que o ano passado já foi mau, que este está pior e que para o ano se não estiver a mendigar por uma côdea de pão bolorenta pode dar graças a Deus. É questão para perguntar como é que este país ainda se mantêm em funcionamento?

Pelo discurso corrente das mesas de café e reportagens televisivas, ao chegarmos a Elvas vindos por Badajoz, já à muito que se deveria encontrar um portão, encerrado a cadeado, com um aviso a informar que Portugal fechou por falência. Mas pelos vistos não. Continuamos por cá. E exactamente na mesma, com uma resmunguice crónica que parece não ter melhorias.

E todos sofremos com isto. Todos estamos mal, falidos, sem dinheiro para o que quer que seja. Nunca conheci ninguém que se considera-se rico. Já nem vou tão longe e exigir este impossível. Refraseando, nunca conheci sequer alguém que viva desafogadamente. Quer sobreviva com o ordenado mínimo ou com vencimentos que façam a família real saudita parecer uma cambada de miseráveis, ninguém se considera bem para levar, pelo menos, uma vida desafogada.

É que mesmo ganhando rios de dinheiro parece que ele se evapora como a cerveja na Queima das Fitas. E há desculpas para tudo. Tanto podem ser os impostos, as prestações do banco, o colégio dos putos, as idas às putas, as dividas a fornecedores, a queda da bolsa, a subida da bolsa, vício de jogo, o arranjo do carro, o preço do pão ou a cabra da minha ex-mulher que me levou tudo só porque me apanhou a ir às putas.

Mas afinal quem é que tem dinheiro? Se toda a gente se queixa, quem o sacana que está caladinho que nem um rato a um canto a encher o bandulho? Esse mesmo que compra os carros de topo de gama, as casas na Lapa com vista para o Tejo e os gelados Magnum Tempation? Esses mesmos, muita pequeninos que vêem naquela caixinha e que custam um euro e noventa. Aquela merda é mesmo boa mas pôrra. Dar dois euros para ter direito a um caganitozito daquele tamanho que vai em duas ou três dentadas é só para gente rica. Temptation, dizem eles. Se estás com tentações levas um Perna-de-Pau e já te podes dar por contente por não bateres no fundo e teres de comer um Mini-Milk.

Quem quer que seja que tenha dinheiro é um mestre na discrição. Um perito em disfarces, uma incógnita para todos aqueles que o rodeiam. Para todos os restantes mortais só resta procurar incessantemente o próximo euro como um agarrado procura uma grama de cavalo para lhe matar as dores. Grama essa que nunca é suficiente. De momento pode atenuar os nervos, servir o desejo do presente. Mas o desespero, esse mantém-se. Dia após dia, num ciclo sem fim de onde parece que ninguém tem saída. 

 

publicado por Velho Jarreta às 16:20

Numa era em que ficamos com a sensação que já vimos tudo e que tudo está inventado há sempre alguém que nos surpreende. Nem que seja só um bocadinho e por uma boa dose de parvoíce. Neste sentido, quero-vos apresentar os Hurra Torpedo.  Três jovens noruegueses que formam um agrupamento musical que em lugar dos tradicionais instrumentos utiliza os mais variados electrodomésticos. Com a sua singular versão de Total Eclipse Of The Heart de Bonnie Tyler deixo-vos com os Hurra Torpedo.

 

 

publicado por Velho Jarreta às 13:41

26
Out 08

Recentemente passei pela mais entediante experiência que um homem pode passar. Não, não fui tratar o que quer que seja às Finanças. Também não fui à DGV renovar a carta de condução. Nem fui às compras com uma mulher escolher a roupa inteira para o próximo Inverno. Nem passei pelo infortúnio de ir ao cinema e em vez de assistir ao último filme do Oliver Stone ter de ir ver a mais recente obra-prima da sétima arte em que entre a Jennifer Lopez ou a Madona. A situação em que me vi metido foi bem pior. Eu fui a um concerto da Mafalda Veiga.

Antes de mais quero deixar aqui bem claro que não tenho nada contra a senhora. Nunca a conheci pessoalmente e até aposto que é uma boa moçoila. As minhas razões são outras. Mas nada como descrever o ambiente em que me vi metido para que melhor se perceba.

Ao chegar ao recinto do evento deparei-me com um público maioritariamente feminino. Algo nada habitual nos concertos a que costumo ir mas pareceu-me muito bem. Os únicos homens presentes aparentavam ser namorados ou amigos próximos de quem realmente ia ver o espectáculo.

Nunca a expressão facial entre os dois sexos me pareceu tão distinta. Dum lado o ar concentrado e deliciado do público feminino enquanto se balouçavam suavemente ao som da música. Do outro lado o ar de tédio a roçar o desespero por parte de nós homens. Olhamos uns para os outros e sem soltar uma palavra, em plena acto de telepatia, compartilhamos aquele sentimento de quem preferia estar noutro lado qualquer menos ali. Recordamos com saudade os bons tempos que passámos em filas de trânsito ou fechados no escritório a olhar para um molho de papelada iluminada pela luz do monitor.

Nunca senti tanta falta dos serões com as novelas da TVI. Ao menos aí tinha o sofá e podia observar aqueles duelos entre a Rita Pereira e a Mariana Monteiro para ver quem é a mais boa. E por falar em gajas, por esta altura já se tinham afastado. Nós homens tínhamos formado o nosso próprio grupo onde se debatia o estado do tempo e música a sério. Tudo isto sempre de costas para o palco.

Prontamente alguém se apercebeu da existência de um bar. Algo que considero indispensável numa situação destas. Felizmente serviam bebidas alcoólicas. Tendo em conta que o ambiente se assemelhava a uma sala de espera de um ginecologista, cheguei a ponderar que só servissem águas de sabores e chás de camomila. No entanto de nada serviu para despertar as almas. De acordo com estudos recentes, qualquer espécie de estimulante perde o seu efeito ao som da Mafalda Veiga. Ainda não se sabe a origem de tal fenómeno mas confirmo os resultados.

Passada uma hora de pura pasmaceira continua a soar lá no fundo aquela agradável música de elevador. É que ficamos com a sensação de que estamos a ouvir a mesma canção desde que chegámos. Que o tempo e espaço pararam e que estamos ali desde o Paleolítico.

Para piorar o estado de espírito um nervoso miudinho percorria-me o corpo. Estive sempre com o pânico de que o João Pedro Pais entrasse em palco e agonizasse a situação. É que aí perdia a cabeça e não me responsabilizava pelos meus actos. Um comprimido para dormir é uma coisa, uma dose de sedativos disfarçados de m&m’s é outra.

Passado aquilo que pareceu uma eternidade, uma salva de palmas quebra-me da letargia. Sinto os músculos a desentorpecer e desperto lentamente. Devagarinho, pois para mim não há nada pior que acordar à pressa. O concerto tinha acabado. Agora somos nós homens que sorrimos é hora de ir. Sobrevivemos a mais uma dura batalha. A guerra? Essa está perdida desde sempre.

 

 

publicado por Velho Jarreta às 16:41

23
Out 08

Nos anos setenta uma sitcom norte-americana de nome All In The Family atingiu um sucesso extraordinário. Conhecida em Portugal como “Uma Família às Direitas” esta série conseguiu como poucas retratar o sinal dos tempos. Abordou assuntos anteriormente considerados tabu, tais como a homossexualidade, o racismo, os direitos das mulheres, o porquê das calças à boca-de-sino e o aborto. Tornou-se um marco e estabeleceu uma forte ligação com os telespectadores que iria perdurar no tempo.

Baseado em histórias do quotidiano a acção centrava-se na casa de numa família suburbana de classe média. Eram quatro as personagens principais. Gloria e o seu marido Michael Stivic, representavam a juventude e as ideias liberais e utópicas da era. Edith, a dona de casa de voz esganiçada era a típica mulher que conhecia muito pouco do mundo mas muito do seu mundo. Aparentando ser uma perfeita idiota revelava-se quase sempre como a voz da ponderação e do bom senso. Mas seria o quarto interveniente que viria a ser a face deste programa. Considerado por muitos críticos e espectadores comuns como a melhor personagem da história da televisão norte-americana, minhas senhoras e meus senhores, Archie Bunker.

Interpretado por Carrol O'Connor, esta personificação do retrógrado e reaccionário trabalhador de classe média que parece ter certezas e respostas para tudo tornou-se o mais adorado grunho que há memória. E é aí que reside a primeira e grande questão. Porque gostávamos tanto de Archie Bunker? Ele era a verdadeira besta. Um homem que tratava tudo e todos abaixo de cão. Qualquer pessoa que pensasse, agisse ou se apresentasse de outra forma a que não fosse a sua era imediatamente criticada por ele. Tinha uma desconfiança e consequente antipatia de tudo o que era diferente. Mas no fundo toda a gente nutria uma profunda empatia com aquela personagem. Bastava a sua presença para que o sorriso que ele nunca tinha surgisse imediatamente na face de qualquer espectador. Inclusive dos próprios grupos sociais que ele tanto criticava.

A resposta está bem dentro de nós. No fundo todos temos um pouco de Archie Bunker no nosso ser. Todos temos preconceitos e ideias pré-concebidas sobre outras pessoas. Quer seja pela cor, raça, religião, etnia, clube desportivo, orientação sexual, filiação politica ou pela opinião que têm sobre a qual a melhor receita de bacalhau. E isso não vai mudar, mas nunca mesmo. Sempre foi e sempre será assim.

Daí o carácter intemporal de Archie bunker. Todos já tivemos momentos na vida em que quisemos mandar tudo e todos à fava e descarregar sobre o primeiro que aparece todas as raivas e frustrações da nossa vida, como se aquela pessoa fosse a responsável por tudo aquilo de mau que nos aconteceu. Desde o dia que nascemos até aquele preciso momento. Para muita gente não foi uma vez que reagiram assim, é mais uma forma de estar na vida, fazem deste comportamento a sua maneira de estar. E são habitualmente esses que juram a pés juntos que a culpa é sempre dos outros e que de Archie Bunker nada têm.

 

publicado por Velho Jarreta às 12:26

21
Out 08

Reencarnar não tem nada a ver com pintar uma casa em encarnado e dar-lhe uma segunda demão. Muito menos em comer dois pratos de carne a uma refeição, do género de pedir uns Rojões à Minhota como primeiro prato no lugar da pescada cozida e colocar em cima disso uma posta Mirandesa. Por incrível que pareça também não é o acto de nos mudarmos para o bairro da Encarnação após lá ter vivido numa fase anterior da nossa vida. Nem em alguém se fazer sócio do Benfica uma vez mais depois de ter passado os últimos anos sem pagar quotas, sempre a dizer que não andava aqui para sustentar chulos e que não jogavam um caralho. Mas que agora como temos o Reyes, o Aimar e companhia tudo vai mudar e até os comemos. Lamento informar mas é algo completamente diferente.

A ideia base da reencarnação é que após a morte a nossa alma irá encarnar noutra forma. Ou seja a nossa consciência entra para dentro de outro corpo e prossegue o seu caminho. Parece-me ser uma grande treta mas para já parece-me bem, pelo menos de um ponto de vista masculino. Nós homens passamos a nossa efémera existência a tentar entrar noutros corpos. Porque não fazê-lo para a eternidade? Assim nem se estranhava muito a próxima vida e já que morremos ao menos que tenhamos direito a um orgasmo para compensar a tristeza.

Apesar da ideia altamente apelativa, levantam-se questões. Primeiro que tudo. Se a nossa consciência volta ao activo porque é que nunca nos lembramos da vida passada? Alguém deve formatar as memórias às portas do céu. Provavelmente quem está responsável pelo estado das almas é a mesma empresa que trata todos os anos das colocações dos professores. Por um lado é bom. Aquilo que perdemos em experiência ganhamos em paciência. Se uma pessoa aos 70 anos já resmunga por tudo e por nada imaginem com 700 ou 800 anos. Aí seria impossível de aturar. Bastava o ouvir de um simples “Bom dia” para sacarmos da bengala e vazarmos uma vista a quem quer que atravessasse à nossa frente.

Outra coisa que me incomoda é o facto de quando alguém se refere à sua vida passada afirmar piamente que foi uma figura altamente ilustre. Toda a gente foi o Napoleão, o Gandhi ou o gajo que inventou os post-its. Porque é que nunca se ouve dizer que noutra vida alguém foi estucador? Também ninguém diz que na sua anterior experiência de vida era um prostituo vietnamita que morreu de sífilis nas ruas de Xangai após um mercador tailandês lhe ter trucidado o rabo e deixado ao abandono. E alguém teve que ser.

Em consequência da anterior questão surge-me outra. Não, esqueçam o prostituto vietnamita. A minha questão é, como é que se sabe quem fomos noutra vida? Não dá para irmos à Torre do Tombo ou ao registo civil percorrer a árvore genealógica das regressões. Aposto que nem os horóscopos dos jornais diários, na sua infinita sabedoria, terão resposta para tal questão.

Realmente são muitas as incógnitas que se colocam e uma acima de todas. O que será feito da alma do prostituo vietnamita? Espero bem não me ter calhado a mim. Já me bastam os problemas que tenho quanto mais carregar o karma de uma vida de degredo no Extremo Oriente.

 

publicado por Velho Jarreta às 17:04

Sem Comentários.

 

 

publicado por Velho Jarreta às 14:06

20
Out 08

Em 1991 Joe Pesci ganhou o Óscar de melhor actor secundário pela sua interpretação no filme Goodfellas. Conhecido em Portugal como "Tudo Bons Rapazes" esta película tornou-se uma obra emblemática da sétima arte e nunca, na minha humilde opinião, um Oscar foi tão bem atribuído.

Devo confessar que sou altamente parcial na apreciação deste desempenho. Para além de já ter visto o Goodfellas mais de duzentas vezes (isto só na a semana passada) considero que Joe Pesci é daquelas figuras icónicas. Pequeno em tamanho mas enorme em talento, a sua entrega e consequente naturalidade na interpretação de certo tipo de papéis fez com que se imortaliza-se no grande ecrã.

A cena em questão que vos quero mostrar passa-se num agradável convívio entre amigos. Naquilo que se poderia considerar um jantar de negócios para jovens mafiosos Joe Pesci torna-se o centro das atenções e o resto é história. Como diria Lauro Dérmio "Let's look at the trailer."

 

Com boa imagem mas sem legendas.

Com uma imagem razoávelzinha e legendado em português do Brasil.

 

publicado por Velho Jarreta às 16:44

13
Out 08

Vivemos uma gravíssima crise financeira. O endividamento à escala global, a falta de regulamentação dos mercados e o regresso da Teresa Guilherme aos ecrãs de televisão levaram a uma hecatombe sem precedentes no nosso passado recente.

Devido a tudo isso decidi utilizar este espaço para auxiliar todas as pessoas que procuram formas de responder às intempéries que surgem no horizonte. Como tal, elaborei um programa de 12 passos para combater a crise. A que dei o nome de “12 passos para combater a crise”.

  1. Prostitua-se. Apesar do alto desemprego, a mais velha profissão do mundo continua a ser uma área com muitas potencialidades.
  2. Partilhe uma habitação com pelo menos 14 pessoas. A comunidade brasileira veio revolucionar o nosso mercado imobiliário. Hoje sabemos que é possível encaixar confortavelmente uma dúzia de pessoa num T2 no Cacém.
  3. Se é fumador deixe de fumar. O preço do tabaco vai aumentar em breve e para além disso só faz mal à saúde.
  4. Se não é fumador comece imediatamente a fumar. Enquanto se entretêm com os cigarros não está a gastar dinheiro noutras coisas.
  5. Venda um rim. O que não falta aí é hemofílicos dispostos a pagar o que quer que seja por algo que você tem a mais.
  6. Venda um filho. Volte a fazer outro quando tiver maior desafogo financeiro. Até porque as crianças são como os cachorros, são sempre mais engraçados em pequenos. E como toda a gente gosta de bebés fica sempre bem visto.
  7. Não pague nada daquilo que deve. Se já nem os bancos pagam quem é você para se chegar à frente?
  8. Queixe-se constantemente. À bom português embarque numa lamúria constante. Não deixe nunca que os outros pensem que está bem na vida. Arrisca-se a que lhe peçam dinheiro constantemente e a ser mal visto na rua só porque é diferente.
  9. Procure petróleo no seu quintal. Para quê plantar couves e batatas quando pode ter debaixo dos seus pés a fortuna que tanto deseja. Se por acaso não encontrar nada já deu o primeiro passo para construir a piscina dos seus sonhos.
  10. Mude os seus hábitos socais. Para quê frequentar discotecas da moda e bons restaurantes quando se pode divertir por muito menos? Passe agradáveis noites em Sacavém e Camarate. Para além de poupar dinheiro pode ter o prazer de desfrutar de locais típicos onde a ASAE ainda não se atreveu a entrar.
  11. Corte nos gastos supérfluos. Passe a usar jóias de plástico, roupa de estações anteriores e deixe de ir ao cabeleireiro. Se alguém o olhar de lado faça um ar confiante e imagine-se como um ícone da moda.
  12. Altere a sua alimentação. Ao organizar um jantar para os seus amigos, apresente-lhes um manjar de salsichas de lata e batatas de pacote. Para não parecer o miserável que realmente é decore com um ramo de salsa e diga que é uma receita da Polinésia. Para as bebidas, fale dos benefícios do vinho de pacote e sirva Casal da Eira. Estupidamente gelado quase que se consegue beber.

E cá está, penso que com estas medidas notará rapidamente melhorias significativas no seu dia-a-dia. Escusa de agradecer, eu estou cá é para isso.

 

 

 

publicado por Velho Jarreta às 23:47

09
Out 08

Nota inicial: a Patrícia vai para Inglaterra.

 

Minha cara amiga.

 

Isso de ir para o estrangeiro é com certeza muito lindo mas é algo que percebo pouco. O mais longe que fui foi a Melgaço por ocasião do casamento do meu primo Adérito. Como tal não me devo pronunciar sobre terras longínquas que desconheço. Mas como não me apetece ficar em branco aqui fica a minha opinião.

Inglaterra é, neste momento, a Meca das oportunidades. Uma terra que promove os nobres de espírito e de alma. Quem seja honesto, digno e trabalhador com certeza não ficará mal na vida. Vê o caso do Vale e Azevedo que após tantas tormentas na ocidental praia lusitana revitalizou lá a sua carreira. Se ele triunfou em condições bem mais adversas, tenho a certeza que também tu conseguirás atingir aquilo que buscas.

Sei poucas coisas sobre a terra de sua majestade. Que se conduz fora de mão, que tem muitos bêbados e que a figura mais ilustre é o Cristiano Ronaldo. Como tal não vais notar muitas diferenças em relação a Portugal.

É uma região fria e chuvosa. Não te esqueças de levar o guarda-chuva e uma manta.

É uma monarquia e não uma república. Logo, eles não têm o 5 de Outubro. Para além de não haver feriado passam automaticamente do dia 4 para o dia 6. Só mesmo para marcar posição e mostrarem que são diferentes.

A língua que eles lá falam é o inglês. É a língua dos filmes. Torna-se mais fácil aprender pois eles quando falam têm sempre legendas por baixo.

Apesar de teres tomado a tua opção continuo a achar que era bem melhor teres ido para a Suíça. A Arminda está em Genebra e arranjava-te facilmente trabalho como mulher-a-dias. Para o teu homem, o Mota disse-me que eles estavam a precisar de um ladrilhador lá para a empresa onde ele está. Mas tu é que sabes, agora que a Arminda te arranjava emprego ai isso arranjava. Eu conheço bem a Arminda e ela é de confiança. O Josué uma vez encomendou-lhe uns acolchoados para dar à mãe, aquela gorda que bebe bagaços logo de manhã e que anda sempre de chinelos de enfiar no dedo seja Inverno ou Verão, por alturas do Natal e ela nem lhe cobrou nada.

Agora mais a sério. Não me vou pôr aqui a dizer que te desejo tudo de bom e merdas do costume porque isso tu já sabes. Sabes também a amizade que tenho por ti e que se te fosse a dizer algo mais pessoal não seria com certeza neste espaço. Aliás nem tenho muito para te dizer depois de tudo o que já te disse. Mas para deixar como nota dominante fica o seguinte. Tenho a certeza que não te vais arrepender porque na vida só nos arrependemos daquilo que não fazemos. Como tal, corra como corra, vai ser sempre uma experiencia que te enriquecerá.

Lamento informar-te mas não vou ter saudades tuas. Só as temos quando sentimos que estamos longe de alguém e eu nunca senti estar longe de ti. Como é prova disso o passado recente. Obrigado por seres como és.

Um Beijo enorme e qualquer coisa, a Arminda arranja-te trabalho em Genébra.

 

Nota final: Caso alguém se tenha interrogado. Godspeed é uma expressão inglesa muito antiga que significa o desejo de uma viagem próspera, sucesso e boa sorte.

 

publicado por Velho Jarreta às 18:14

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