Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Jul 08

Hoje em dia toda a gente gasta um dinheirão a organizar um casamento. As pessoas hipotecam a casa, o carro e a vida própria para poderem ter uma festa que ofusque a cerimónia dos Óscares.

O que se esquecem é que quer gastem muito ou pouco, façam aquilo que fizerem os casamentos são sempre a mesma merda. Uns podem ter fogo de artificio, outros o padre a peidar-se para o microfone em plena igreja. A noiva pode ir de Bentley ou numa Renault 4L. A cerimónia pode ter lugar nos Jerónimos com guarda de honra ou na Conservatória de Almeirim com as senhoras da limpeza a servirem de testemunhas. É igual, não se iludam. Ninguém se vai lembrar disso.
O pessoal só quer uma coisa bem básica. Que a cerimónia acabe o mais depressa possível, para ir tudo a correr para o copo de água. Chegar lá e comer que nem uma besta e embubadar-se como se não houvesse amanhã. Isso é que é importante. Se querem gastar dinheiro em alguma coisa gastem nos víveres. Os alarves que vocês vão levar ao casamento que por eufemismo apelidam de convidados, só lá vão para isso. Eles estão-se a cagar para o resto. Não se lembram quando vocês eram os alarves? Perdão, convidados.
Mas estava eu a dizer, os casamentos são todos iguais. O carro todo apaneleirado para levar os noivos, croquetes e rissóis, Martini e Gin Tónico, a banda que não toca um caralho, bubadeira de meia-noite.
As mulheres agarradas a nós porque não estão habituadas a andar de saltos altos e andam ali aos trambolhões a dizer que a culpa é da calçada até finalmente admitirem, por ser demais obvio, que os sapatos até podem ser finos mas andar aos tombos não o é decerto. E assim que acabam as fotografias depois da puta da missa é vê-las a ir direitinhas ao carro para mudar de sapatos e resmungar mais uma vez contra os tais saltos altos em que gastaram uma fortuna e que nem lhes permitem um andar erecto.
Outra coisa que acontece sempre é quando vamos a caminho da sobremesa aparece o tio de alguém. Já bêbado (como mandam as normas) com um charuto na mão, o nó da gravata todo laço, a suar compulsivamente, com a pela luzidia. Chega ao pé de nós e diz. “Aqui é que eu estou bem, ao pé da malta nova. Eu gosto de estar é ao pé da malta nova. Eu também sou jovem, não parece mas sou. Fixe, é assim que vocês fazem não é? E depois dá grandes sapas nas costas de pessoal que não conhece de lado nenhum. Como já está bêbado e acho que toda a gente gosta imenso dele e é um grande amigo de toda a gente que se encontra em seu redor, já nem sente o braço nem a força que faz.
E depois vai dançar. Há músculos naquele corpo que não eram exercitados há pelo menos 20 anos. E então parece que tem espasmos, mas não, aquilo é mesmo dançar. E a mulher dele é outra, à vinte anos atrás parecia a noiva, linda esbelta e elegante. Agora parece uma betoneira que não está assente no chão. Gorda que nem um pote e decorada que nem uma arvore de Natal.
Já alguma vez assistiram a tudo isto? Claro que sim. E não foi uma vez, foi sempre.

publicado por Velho Jarreta às 17:21

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