Março de 2006 - Janeiro de 2009

28
Fev 07

A 27 de Abril de 1928 é entregue a Salazar a pasta das finanças. Ao apresentar o seu discurso de posse proferiu uma pequena frase que iria marcar décadas da vida portuguesa. Pouco dado a retóricas disse, de forma bastante directa, a expressão que dá titulo a este texto. Ao longo dos seguintes 40 anos provou-o, nunca mostrou duvidas ou indecisões e raramente voltou com a palavra atrás. Para o bem e para o mal levou as suas ideias até ao fim, e se não fosse um mau trabalho de carpintaria aposto que ainda estaria hoje a dizer, e a fazer, a mesma coisa.

Não vos venho falar de historia, de politica, nem quero que gastem 60 dos vossos preciosos cêntimos a mandar uma mensagem para aquela inutilidade de programa que classifica portugueses. Basicamente é como o top+ mas com a Maria Elisa no lugar da Isabel Figueira, logo bastante pior. Bastante mesmo.

Nota: se alguém se vai dar ao trabalho de fazer um comentário, que refira que já não é esta a apresentadora mas sim aquela modelo boazona que fez a tal novela da TVI e que anda com o não sei quantos, mais vale estar quieto. Eu já não vejo esse programa à montes de tempo, mas aposto que se já não é a Isabel Figueira há-de ser outra qualquer que meta a ex-deputada do PSD, que sofria de cansaço crónico e agora já não sofre porque já ganha dez vezes mais do que aquilo que ganhava sentada na Assembleia, a um canto. Fica o reparo e adiante.

O que verdadeiramente importa é o sentimento que está dentro de alguém quando expressa tal convicção. Sempre achei que não passava de pura arrogância ou de uma forma de esconder inseguranças. E estava certo, na maioria dos casos é disso mesmo que se trata. Pode ser também uma obstinação, uma teimosia, uma birra ou puro exibicionismo. Mas já pensaram se não for só isso?

Compreendi finalmente um dos seus significados mais profundos, e é mais complexo do que alguma vez tinha sonhado. É o fim de algo e o principio de muito mais. Não é dirigido a um publico, a uma multidão e muito menos a uma nação, é dirigido sim ao próprio . E quando utilizada, esta expressão, com uma honestidade profunda consigo mesmo, é uma injecção de realidade e de adrenalina. Poucas vezes na vida iremos sentir semelhante sensação, pois é um momento único, e esse é bom que seja aproveitado. Bem ou mal depende só do querer de cada um.

publicado por Velho Jarreta às 19:59

14
Fev 07

Era eu novo, muito mais novo, e existiam na minha rua duas floristas. Já faliram, como seria de esperar, pois ter um negócio que funciona somente uma vez por ano nunca foi uma opção rentável seja lá em que ramo for. Estranho? Eu explico, tenham calma, vão-se aperceber que até faz muito sentido. Começo por vos descrever os estabelecimentos comerciais de que estou a falar.

Com uma afluência média ao nível dos estádios do Beira-Mar e União de Leiria em dia de jogo, o cenário era desolador. Ramalhetes expostos na montra, que só não ganhavam pó porque a curta vida dos artigos dispostos pelo vidro fora assim não o permitia. A empregada à porta a falar com os vizinhos para não morrer de tédio e uma actividade comercial de fazer inveja a qualquer multinacional. Enfim, parecia uma loja de aquecedores no centro de Maputo.

Este cenário era constante, estivesse frio ou calor, chovesse ou o sol raia-se . Manhã, tarde ou noite, era igual, não se passava porra nenhuma. Até que, uma vez por ano, chegava o dia que permitia a sobrevivência do estabelecimento, pelo menos até ao ano que vem. O dia em que as vendas eram 274967345096% superiores aos restantes dias úteis , ou melhor inúteis . Em que a empregada nem tempo tinha de ir à porta, à casa-de-banho , ao telefone, ao café ou a lado nenhum. Em que a tesoura tinha mais utilidade que fazer recortes de receitas na TvGuia . Alegrem-se comerciantes, chegou o salvador. Não é Jesus Cristo nem D.Sebastião , nem tão pouco o Pai Natal ou o Rambo era sim o S.Valentim .

O dia até começava calmo, mas com o passar das horas as coisas iam aquecendo. Até que, pelo final da tarde, as vendas atingiam o seu zénite . A caixa registadora não parava de funcionar, entrava tanto dinheiro que a pobre máquina até se engasgava. Filas imensas, uma longa espera para conseguir qualquer coisa. Sim qualquer coisa. A única coisa que eu ouvia eles pedirem era qualquer coisa. "Olhe arranje-me aí qualquer coisa s.f.f.". Fosse para a mulher, namorada, amante ou qualquer outro tipo de relacionamento. Durante muito anos pensei que "qualquer coisa" era outro nome para ramo de flores. É lógico, queria qualquer coisa e dão-nos flores, qualquer coisa são flores. É evidente Hermínia .

Nunca soube quem era tal fulano, o Valentim, mas devia ser lixado para a porrada. Tinha que ser, não é qualquer um que obriga tantos homens de barba rija a irem para casa carregados de flores após um dia de trabalho. Ou se calhar era um franzino vendedor de flores que se lembrou de criar uma brilhante estratégia de marketing para pelo menos uma vez por ano chegar ao final do dia e dizer que se fartou de trabalhar. É provável , bastante mesmo.

Nunca cheguei a saber quem era este homem que até foi santificado, o que sei é que já não há floristas na minha rua. Mas todos os anos, a 14 de Fevereiro, faça chuva, sol, frio ou calor esta mesma rua continua cheia de homens carregados de qualquer coisa.

publicado por Velho Jarreta às 00:04

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