Março de 2006 - Janeiro de 2009

26
Jul 06

Com o Médio Oriente novamente a ferver, achei apropriado arranjar uma solução definitiva para aquela caldeirada onde nunca mais se vê o fundo à panela. Visto que é mais provável que o Rodrigo Tello se torne um bom jogador do que aquela gente chegar a alguma espécie de entendimento, a única hipótese é ir cada um para seu lado e seguir a sua vida. Assim tipo divorcio: "Desculpa querida mas já não dá, a tua intifada já não me seduz e a tua fatah já não me alegra.", "Tens razão. Os teus raides aéreos já não me aquecem e o teu muro das lamentações já não cresce mais."

Até aqui tudo muito bem, mas quem ficaria com a casa? Não quero ser juiz de tribunal civil nem advogado de qualquer uma das partes mas têm de ser os judeus a procurar um T19374645895736383 com garagem para dois carros noutro sitio qualquer, senão temos de seguir para divorcio litigioso e aquilo nunca mais se resolve.

É que se não são os palestinianos ou os libaneses são os sírios ou os iranianos ou outra vizinhança qualquer. É que naquele prédio nunca ninguém gostou deles. Até depois da II Guerra Mundial, na altura das mudanças, houve problemas, e como diz o povo, pau que nasce torto tarde ou nunca se endireita.

Então o que fazer com os milhões de israelitas ? Só vejo uma hipótese, têm de vir todos para Portugal. Absurdo? Impossível ? Complicado? Nada disso. De certo que seria, sem dúvida de qualquer espécie, a melhor solução para todas as partes.

Os árabes ficariam todos contentes porque aqueles vizinhos, que nunca lhes agradaram, que ligavam os aviões às tantas da noite para os bombardear, e protestavam sempre na reunião de condóminos, já estavam a morar bem mais longe, e como tal já não os incomodavam.

Os israelitas finalmente encontravam a sua verdadeira terra prometida. Aquilo que Moisés falava não era entre o monte Sinai e Jericó, mas sim entre Bragança e Faro. Aqui poderiam finalmente viver em paz. Os árabes mais próximos são os marroquinos e esses só enervam a impingir tapetes e blusões de cabedal quando vamos a Ceuta.

Então e para nós, os portugueses, o que seria da nossa vida? Não contem a ninguém mas seriamos os principais beneficiados. Os israelitas viriam todos para o interior, assim resolvia-se o problema da desertificação, que ficaria cheio de gente que ainda por cima está mais que habituada a viver no deserto, por isso nunca se iriam queixar que em Serpa está muito calor ou que a agricultura este ano não dá por causa da seca.

A grande vantagem seria que passaríamos finalmente a ser um país rico. Segundo dizem, os judeus são cheios de guita, eu não sei porque nunca conheci nenhum mas se dizem é bem capaz de ser verdade. Qual défice, qual carapuça, agora somos ricos finalmente!!! Esqueçam o Euromilhões, mandei mas é israelitas . Pensem nisto que tem pernas para andar.

publicado por Velho Jarreta às 00:33

19
Jul 06

Aposto que já fizeram esta pergunta a vocês mesmos. O que é aquilo que nós vemos na tv , vestido todo de branco que mais parece um padeiro, a dizer que adora a sua pátria, que é a nossa, isto tudo com um sotaque de quem acabou de chegar pela primeira vez a Portugal? A sério, o que raio é aquilo? Alguém me explica?

A melhor definição que ouvi sobre tal espécie, e provavelmente a única, foi que ele é um brasileiro que finge ser português que por sua vez finge ser brasileiro. Ficamos na mesma mas já é um começo.

E depois canta. À anos que o homem canta, e canta como se fosse um português de gema. Não me digam que não se lembram do "eu vou, eu vou lá para a terra da Maria" grande existo de Verão de há não sei quantos anos atrás. Até confundíamos a música com uma das do José Malhoa ou do saudoso Dino Meira se não tivesse aquele maldito sotaque.

E o filho é outro. Ele tem um filho que também canta, que aposto que diz que é português mas fala com sotaque brasileiro, que passa cá a vida e que tinha uma banda nesse grande programa que foi o Muita Louco que facilmente entra, em qualquer enciclopédia, na categoria "O que raio é isto?". Que espaço televisivo de tão boa memória, o outro deficiente do José Figueiras a cantar músicas tirolesas, temas sem interesse nenhum, os planos das câmaras sempre em movimento como se fossem uma avioneta em plena queda livre com o motor desligado, e a gorda, sim a gorda "E AÍ VEM A GORDA". Não se lembram? Sorte a vossa. Mas adiante que já me estou a dispersar . Voltemos ao Roberto Leal.

O gajo é loiro, será que ninguém repara? Se fosse brasileiro qual a probabilidade de ter o cabelo amarelinho como um limão? Zero, pois é evidente. Ainda por cima sempre penteadinho , de risco ao lado, só pode ser um capachinho mas como vem de quem vem até duvido .

A única coisa que me leva a crer que realmente ele é brasileiro é que diz que Portugal é um país maravilhoso e que Jesus Cristo é o senhor. Como toda a gente sabe qualquer brasileiro que se preze tem sempre estes dois comentários na boca.

Quando a selecção nacional voltou da Alemanha, após o Mundial, quem é que cantou o hino, em pleno estádio nacional? Só podia ser uma a escolha, o padeiro sueco . Qual Mariza ou Rui Veloso, isso não iria soar a falso, para este ser um momento marcante da nossa história era fundamental ter um ícone da cultura lusa.

Nem me dei ao trabalho de pesquisar qualquer tipo da informação sobre este senhor, na net ou em qualquer livro, aposto que só me iriam confundir ainda mais e que por muito trabalho que tenho nunca conseguirei responder a uma questão. Quem é o Roberto Leal?

publicado por Velho Jarreta às 11:35

12
Jul 06

Somos um povo tão estranho que o nosso prato nacional consiste no único peixe que não existe na nossa costa. Ok aqui também não há arenques, mas estar a comer postas de petróleo é uma parvoíce . Já repararam que desde que há memória, nos fazemos ao mar alto em autênticas cascas de noz, deixando para trás o nosso agradável clima, a caminho do gelo da Noruega, só para o ir pescar? E ainda nos damos ao luxo de complicar mais a situação. Não nos limitamos a comê-lo assim como veio ao mundo. Nunca! Isso seria demasiado simples. Ainda o secamos e o enchemos de sal como se ele não estivesse já farto da água do mar.

É um marco na nossa cultura, é tão nosso como a Amália, o Carlos Paredes ou o Deco . Aliás, não gostar de bacalhau e ter nacionalidade portuguesa é sinal que o B.I. . foi falsificado ou que se é imigrante devidamente legalizado.

E porque será que existem 1001 maneiras para cozinhar bacalhau? Será este número exclusivo do tão apreciado fiel amigo? Eu já comi frango de toda a maneira e feitio e nunca ouvi dizer que há 1001 maneiras de o cozinhar. Eu sei que há muitos pratos mas vão quase sempre dar ao mesmo, muita cebola, batatunga e um mar de azeite onde o pão pode boiar com uma certa facilidade.

Há estudos que dizem que está em vias de extinção. Se isso é verdade o que havemos de fazer então? Preservar as reservas existentes? Reduzir o consumo? Substituir por peixe-espada ou redfish ? Nem pensar nisso. À boa maneira portuguesa vamos é comer até não haver mais e depois logo se vê. Também só nós é que o comemos por isso devíamos ter a plenitude de direitos sobre o mesmo.

Mas o que seria da noite de Natal sem ele? O que iríamos comer nos almoços de família ao domingo? O que fariam o grão, a batata e o azeite sem a sua companhia? Como chamaríamos ao aperto de mão? Como iríamos descrever o cheiro da zona genital feminina? O que iriam servir nos casamentos antes do bifinhos com champignons ? Como se iria chamar a Rua dos Bacalhoeiros ? E o que seria da nossa vida e o que seria da nossa pátria?

publicado por Velho Jarreta às 03:39

04
Jul 06

É verdade, deixei de fumar! Quer dizer, deixei mas já voltei, porque me apercebi do enorme erro que tinha cometido. Tudo começou à uns tempos, em que decidi que haveria de abandonar este velho hábito de inalar fumo de forma propositada.

Quinta-feira passada foi o dia escolhido para, pela primeira vez (e espero que única), começar um dia novo sem a companhia dos cigarros. Sexta-feira à tarde já me tinha apercebido que tinha errado, mas mesmo assim ia ver o que dava. Sábado já era um facto consumado, tinha de voltar a fumar, não por não conseguir deixar o vicio, mas sim por deixar o prazer.

Eu entendo perfeitamente a ideia de nos esforçarmos para atingir algo, se ficarmos quietos nada acontece garanto-vos, agora esforçar-me para não ter prazer não passa de um acto masoquista.

Apercebi-me que controlo melhor o vicio do que aquilo que imaginava, afinal posso passar várias horas, até dias sem tocar na chicha, mas nunca mais fumar é que nem pensar. Até porque nem fumo muito e desde que "deixei" ainda nem fumei meia dúzia deles.

A única coisa que me deu ânsias e nervos foi a simples ideia de nunca mais pegar num cigarro, de não poder desfrutar esse momento de prazer, daquela companhia, do fabuloso momento de apreciar a vida enquanto a brasa arde entre os nossos dedos. Isso não, isso não me podem tirar.

Nestes últimos dias percorreram-me a mente episódios passados como tertúlias com amigos, jogos da bola, momentos de solidão, boas refeições, cervejas frescas no Verão e ginjas no Inverno, noites mal dormidas mas muito bem passadas, e tudo isso com um cigarro nas mãos.

Agora entendo o que queria transmitir Camacho Costa quando, sem cabelo e com a voz rouca, consumido por um cancro, a pouco tempo da sua despedida, disse que não se arrependia de nada pois foram muitos os prazeres que teve e que se tem de ser assim que assim seja.

Não é minha intenção levar ninguém que nunca tenha fumado a começar tão horrível vicio, porque é um facto que faz mal de todas as maneiras que nós sabemos, até aí nada de novo. Mas dá-me prazer, e nesta vida se não tivermos prazer outra coisa vos garanto, não temos nada.

publicado por Velho Jarreta às 21:21

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