Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Out 06

Há pouco tempo um amigo meu fez o favor de me emprestar um cd duplo muito especial. Devo confessar que há mais de dez anos que não punha a vista em cima (neste caso os ouvidos) em tal obra, mas rapidamente me recordei o porquê de ter passado tempos infinitos da minha vida a ouvir este álbum quer na minha infância quer no inicio da adolescência. Trata-se do The Wall dos Pink Floyd , e pode ser facilmente considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos.

Ao contrario do que muitos pensam esta obra-prima não é sobre politica, guerra e muito menos uma comemoração da queda do muro de Berlim . Trata-se sim de um exercício de psicoterapia que se viu passado a música. Um retrato perturbador, da vida de uma pessoa, cheio de complexas analogias que pretendem, retratar a vivência, no fundo, de todos nós.

A história é basicamente uma autobiografia do autor, Roger Waters , desde o seu nascimento, em plena II Guerra Mundial, passando pela morte do pai, até à sua ascensão a estrela rock e forma como teve de lidar com tudo isso.

Não é música que nos alegre e nos deixe bem dispostos, é uma obra pesada, perturbadora sombria e cheia de questões e é isso o que a faz ser pura e simplesmente brilhante. Foi lançada em 1979, o mesmo ano em que nasci, no entanto, apesar de estar perto de fazer três décadas , soa sempre a algo intemporal, que está à frente do seu tempo e que ainda tem muito para descobrir.

O muro é uma metáfora para a forma como muitas vezes nos escondemos e refugiamos do mundo de modo a não sofremos. Até que nos acabamos por nos aperceber que esse refugio, ao inicio confortável e seguro, se transforma numa prisão que nos impede de chegar à felicidade. Todos os nossos medos, desculpas, paranóias , fobias, pesadelos e recalcamentos de vária ordem são os tijolos. Os mesmos que vão construindo o muro que nos envolve e aprisiona.

Todos nós temos os nossos tijolos e o seu respectivo muro, e já uma vez ou outra nos fechámos nele na vã esperança de assim resolver os nossos problemas, ao melhor estilo da avestruz. Até que chegamos a um ponto em que parece não haver saída , e realmente não há, o muro isolou-nos . Neste caso só há solução a tomar que é derrubá-lo, tijolo após tijolo. Eu já o fiz e digo-vos, isto cá fora é bem mais agradável. Claro que o muro insiste sempre em crescer, os tijolos só irão deixar de aparecer quando morrermos, e há alturas em que não temos forças para os derrubar. Mas é esta luta constante com nós próprios que se chama vida e eu não conheço mais nada para além disto.

No fim da obra o protagonista é condenado, em tribunal, à pena máxima , exposição perante os seus e o muro é derrubado. O seu refugio é destruído e ele apercebe-se do verdadeiro sentido da vida, que é…isso meu caro vais ter de descobrir por ti. E não te esqueças de derrubar o muro.

DERRUBEM O MURO!!!!!!!!!

publicado por Velho Jarreta às 17:29

comentário:
JÁ TENHO ESTADO A DERRUBAR E FODASSS ...
é sem duvida isso que dá gozo à nossa vidinha!
Serei só eu, ou eles quantos mais derrubas mais crescem. Não faz mal seja como for eu irei continuar. Detesto estar aprisionada =D
Sandra a 24 de Novembro de 2006 às 20:57

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