Março de 2006 - Janeiro de 2009

24
Mai 06

Quando eu era menino e moço, a minha mãe trabalhava em Lisboa, em pleno coração alfacinha, mesmo ao lado, do então moderníssimo Fórum Lisboa, nas Picoas. Era, como qualquer edifício estatal dos anos 80, uma mistura de edifico histórico e prédio devoluto. Após subir umas escadas de madeira, bem velhas por sinal, com aquele cheiro característico e com uma luz forte e viva ao estilo de um bunker londrino em plena II Guerra Mundial, entravamos num apartamento adaptado a escritórios. Logo à esquerda um longo corredor levava-nos à secção da minha mãe, que era mesmo lá ao fundo. Percorríamos esse espaço, iluminado por luzes florescentes , ao som de "Bom dia!" e "Ai estás tão crescido" e todos os outros lugares comuns que este tipo de situações tinha. A secção da minha mãe era a única que tinha um toque mais humano, não por ser a da minha mãe, mas por ela e as outras duas colegas, que partilhavam este espaço, encherem uma parede inteira com postais das mais variadas partes do mundo, como Santarém , Aveiro e as termas do Luso. Mas aquilo mais me ficou na memória foi uma pequena fotocopia , colada na parede, situada do lado direito da sala, de forma discreta, que dizia "Não é preciso ser-se doido para trabalhar aqui mas ajuda muito.".

Há frases ou expressões que nos marcam e esta, sem dúvida, sempre me fascinou. Aquilo que parecia pura e simplesmente uma graça aplicada aquele local de trabalho, é nada mais nada menos que uma forma de aguentar a vida todos os dias, seja lá onde for.

Pensem bem, quantas coisas vocês acham que não fazem sentido nenhum? Parece que foram feitas apenas para doidos as entenderem, e apesar disso têm de ser feitas e vividas por todos, mais ou menos loucos, consoante a sorte e o karma de cada um.

Jesus Cristo, que segundo dizem nunca tirou um curso superior nem passou a primeira eliminatória do"Quem quer ser milionário?", tinha no entanto um comentário muito bom quando via muito disparate à sua volta. Esse comentário era Perdoai-lhes senhor que eles não sabem o que fazem.". Aposto que na sua curta vida o repetiu muitas vezes.

Há também um velho ditado popular que diz que "De médico e louco todos temos um pouco.". É verdade sem dúvida nenhuma, e muitas vezes é nos pensamentos e acções mais estúpidos que ocorrem os acontecimentos mais brilhantes. Aposto que já vos aconteceu a todos, ter feito algo que é uma merda tão grande, que nem sabemos para que lado nos havemos de virar, e no final ainda acabou por compensar.

Tudo isto é muito parvo e parece não ter sentido nenhum, mas no fundo tem lógica. Não faço a mínima ideia qual, só espero que um dia algum louco me saiba dar uma resposta ou que o demente que escreve este texto chegue a alguma conclusão.

publicado por Velho Jarreta às 02:15

3 comentários:
O ditado que conhecia era "De génio e de Louco toda a gente tem um pouco."
Deve ser de região para região, na Damaia é esse, na Reboleira de é este e na cova de Moura deve ser "Carros e telémoveis roubados, toda a gente tem um pouco" ...
Piri a 25 de Maio de 2006 às 17:21

Para quê me serve a total sanidade mental se dela não posso usufruir em pleno! Nem quero. Somos livres para dizer as verdades mas os políticos continuam a mentir, somos livres de ir para onde quisermos mas não me vejo a ter o poder ir muitas vezes aquelas ilhas paradisíacas que ficam ali já ao lado, podemos reclamar e defender os nossos direitos mas o poder continua sempre do lados dos que tem mais dinheiro e influencias. Por isso, prefiro manter-me na minha louca sanidade e curtir a Vida ao máximo...
Floopy a 2 de Julho de 2006 às 18:46

tens jeito é pra fazer é para fazer post e não comentários...
Grande mana !!
Piri a 7 de Julho de 2006 às 14:33

Maio 2006
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
17
18
19
20

21
22
23
25
26
27

28
29
31


mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Nº de pessoas presentes
Nº de leitores
free hit counter
hit counter
blogs SAPO