Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Jan 09

No outro dia passei pelo Monsanto e reparei no seguinte. Este verdejante parque urbano, bem no centro da capital, era conhecido como um marco da prostituição em Lisboa. Agora não se vê uma puta em quilómetros. Não é que não as haja, mas para exercerem a sua actividade mudaram-se para outras paragens.

Como foi possível então acabar com este baluarte do putedo em Portugal? Como é que se conseguiu pôr término a uma larga actividade local que durava desde que há memória? Simples. Colocando um traço continuo amarelo à beira da estrada.

Para quem não está tão familiarizado com o código da estrada, esta marca indica aos automobilistas a impossibilidade de estacionar e parar. Com um traço longitudinal à beira da estrada ninguém pode imobilizar o seu veículo nem que seja para lhe fazerem um broche à pressa.

Agora, a questão que eu coloco é a seguinte. Como é que foi possível isto ter funcionado? Estamos a falar de um povo que conduz como quem acaba de roubar um carro. Que se comporta no asfalto como se este fosse todo seu. Num país onde se desrespeitam toda a espécie de regras de trânsito e onde o civismo é para fracos, como é que uma linha amarela mete toda a gente na ordem?

Para além do nosso comportamento na estrada há outra coisa. O habitual putanheiro nunca aparentou ter qualquer espécie de receio ao entrar neste mundo. O facto de poder contrair uma variedade de doenças venéreas, o risco de ser assaltado, de levar uma carga de porrada de algum chulo ou de pôr em risco um casamento que possa ter, jamais amedrontaram um cliente habitual. No entanto, um traço amarelo põe-os a fugir a sete pés. É que apanhar sífilis, hepatite, sida e andar pelo meio do mato a correr atrás de uma puta para ela lhe dar o troco de uma nota de dez euros tudo bem. Agora levar uma multa por estacionamento indevido, isso é que não. Deus nos livre de tal coisa. Antes a morte que tal sorte.

Somos realmente um povo muito estranho. Quer sejamos putanheiros ou não, somos muito esquisitos. Como complicamos o simples e simplificamos o complexo são mistérios que jamais iremos resolver. Talvez, se pusermos faixas amarelas às portas da Assembleia da República, possamos tornar tudo mais fácil.

 

publicado por Velho Jarreta às 15:48

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