Março de 2006 - Janeiro de 2009

02
Dez 08

Desde tenra idade que sou um apaixonado pela sétima arte. Recordo-me que em miúdo, o cinema representava um mundo mágico, de uma dimensão imensurávelmente maior do que o universo que me rodeava. Não funcionando como uma fuga mas sim como um despertar de horizontes, o cinema sempre me conseguiu levar, e elevar, para outras dimensões bem mais interessantes do que o tão prezado mundo real.

Um filme que me marcou imenso na infância foi o Singin’ In The Rain, com o Gene Kelly, a Debbie Reynolds e o Donald O’Connor. Era algo completamente diferente do meu género na altura. Com os meus 7/8 anos quem me tirava o Chuck Norris ou o Charles Bronson a dar porrada a tudo o que mexia, tirava-me tudo. Um musical dos anos 50 não podia estar mais longe de massacres em selvas tropicais, protagonizados por homens de bigode farfalhudo e caras inexpressivas.

Também devo confessar que não foi pela performance de sapateado que fiquei fascinado. Ainda hoje tenho um apetite e uma habilidade pela dança imensos. Que se limitam ao acto de andar aos pulos enquanto uma banda de guitarras dispara ao fundo. E bêbado, como é requerido pelas regras de etiqueta. O que foi então que sempre me cativou, tanto à 20 anos como agora?

Este clássico será sempre relembrado pela cena que vos apresento. Gene Kelly, feliz da vida, dançando e cantando à chuva torrencial. Como é óbvio, isto é tudo treta. Ninguém sóbrio e com uma saúde mental razoável se a punha a dançar feito parvo pela rua fora. Por muito feliz que estivesse não nos esqueçamos que está um frio do caralho e que depois de tanto pulo o mais provável é que a felicidade fosse substituída por uma pneumonia aguda e um dia nas urgências de um qualquer hospital público.

Como tal, temos de ver as coisas pelo lado fantasioso. Deixarmo-nos levar pela magia do cinema. Esquecer racionalidades e modos clássicos de comportamento para entendermos esta imagem. O que faz este homem dançar, até ficar encharcado até aos tomates? Com 7/8 anos não sabia a resposta mas já sentia uma forte energia positiva. Hoje sei a resposta e como todos vocês também vivo pelos momentos em que cantamos à chuva. Hit It Gene.

 

publicado por Velho Jarreta às 18:17

4 comentários:
Por acaso sempre adorei andar á chuva, se não estiver frio é uma coisa que sempre me soube muito bem. Não posso é cantar, ficou decidido á uns anos que não o posso fazer para bem da humanidade...
Piri a 3 de Dezembro de 2008 às 10:29

True... andar à chuva pode ser interpretado de todas as formas e feitos, desde o incómodo extremo à felicidade desmesurada e acrítica.
Acho que só quem o faz, quando o faz, é que percebe as ramificações pessoais de tal acto banal [no inverno]... pois que, qualquer transeunte assistindo de fora reage de forma diferente consoante a indumentária utilizada para o efeito, mas sempre como "o louco".

Ora vê, se estiveres a saltitar alegre e contente de fato e gravata, és maluco, pertences à ala B de um qualquer asilo psiquiátrico... nenhum homem normal andaria à chuva para estragar o casaco!
Se tiveres umas normalíssimas, então roubaste os teus pais para comprar droga e saíste de casa.
Se estiveres de calções, és escuteiro e, como tal, parvo!

No entanto, apesar das aparências, quem toma esta atitude de desprendimento, de aceitação acrítica do mundo, não é, em nada louco, mas antes pelo contrário inteligente ao ponto de sorrir mesmo na adversidade, de expressar a sua felicidade no meio mais impróprio para isso.
Suricata a 3 de Dezembro de 2008 às 15:48

Visto que a minha capacidade ortográfica não me permite elaborar tamanho detalhe textual, resta-me dizer "Na mouche", ou seja, era mesmo isso que devia ser dito para expressar o momento.
Só consigo acrescentar, só sabe quem já o fez...
Piri a 3 de Dezembro de 2008 às 16:47

"No entanto, apesar das aparências, quem toma esta atitude de desprendimento, de aceitação acrítica do mundo, não é, em nada louco, mas antes pelo contrário inteligente ao ponto de sorrir mesmo na adversidade, de expressar a sua felicidade no meio mais impróprio para isso."
Absolutamente brilhante
Velho Jarreta a 4 de Dezembro de 2008 às 18:33

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