Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Nov 08

Têm ideia de qual foi o pior momento da vossa vida? Agora que têm essa agradável imagem na vossa mente multipliquem por mil. Garanto-vos que nem de perto nem longe chegam aos calcanhares de Quim Macleod. Este senhor, Joaquim de seu nome, não tem Macleod como apelido de família. É sim uma alcunha que ganhou. A forma como a obteve irão perceber mais à frente. Para já, só vos quero garantir que o que vão ler é a mais pura das verdades. Isto aconteceu mesmo.

Num só dia Quim Macleod foi despedido, a mulher deixou-o e o filho assumiu-se como homossexual. Nada mau para uma quarta-feira. As condições em como surgiram estes acontecimentos são-nos desconhecidas. Aquilo que sabemos é o que se passou a seguir.

Como qualquer pessoa faria numa situação destas, Quim Macleod decidiu matar-se. Mas como o fazer? Como se iria suicidar? Esta questão, que já apoquentou tanta gente ao longo da história, foi prontamente respondida. O nosso protagonista decidiu pegar fogo ao seu apartamento consigo lá dentro. Passou por uma bomba de gasolina, encheu um jerrican e começou a dar uma segunda demão às paredes com tinta de 95 octanas. Mas a consciência pesou-lhe. Pensou nos seus vizinhos, que nada tinham a ver com o seu dia fodido (fodidissimo, se me permitem). Como tal, para evitar um novo Chiado, decidiu imolar-se. Despeja o conteúdo do jerrican em cima de si como quem toma um duche rápido. Acende uma chama e finalmente começa a arder. Com o fogo a consumir-lhe o corpo, entra em pânico e corre em chamas para a janela. Em desespero atira-se do segundo andar onde habitava.

Por incrível que pareça não morreu. Esta seria a primeira de várias ocasiões que lhe valeriam a alcunha de Macleod. Para quem este nome nada diz, eu esclareço. Reporta-se a uma série televisiva chamada "Highlander", que por sua vez iria originar filmes e jogos de computador relacionados. Nessa mesma série a personagem principal, de seu nome Duncan Macleod, era um indivíduo imortal. Com o decorrer desta história irão perceber o quão imortal foi e é Quim Macleod.

Mas voltemos à queda livre, e em chamas, do nosso herói. Ao embater no solo a combustão não se extinguiu. Ali perto estava o seu filho, o agora rabeta. Que prontamente se apercebeu tratar-se do seu pai. Visto estarmos no Carnaval, o jovem e os seus amigos estavam munidos de uma larga quantidade de balões de água, que prontamente decidiram atirar ao voador em chamas. Fique registado que foi a primeira e única vez que alguém salvou a sua vida devido a balões de água.

Ao acordar no hospital, com a estrutura óssea desfeita e com queimaduras profundas ao longo do seu corpo, Quim Macleod aguarda pela alta hospitalar de modo a que possa suicidar-se devidamente.

Volta debilmente a casa e pensa numa nova forma de pôr termo à sua vida. Decide espetar uma faca no seu sofrido coração. Ao bom estilo medieval, como quem quer enviar um vampiro para o reino dos mortos, pega no maior facalhão que tinha na cozinha, agarra-o fortemente com as duas mãos e enche o peito para ganhar coragem. Como a dita coragem não chegava decidiu encostar a faca ao corpo e atirar-se para cima da cama. Numa área repleta de órgãos vitais, só há um espaço de poucos milímetros entre o coração e os pulmões onde um golpe não seria fatal. Onde acerta Quim Macleod? Acertou ele e acertaram vocês. Depois de uma longa agonia na solidão do seu lar, faz mais uma visita ao hospital e mais uma tentativa falhada.

Hoje em dia este homem arrasta-se a mendigar pelos subúrbios de Lisboa. Com a cara desfeita e um corpo cheio de mazelas, que não permitem levar uma vida normal a homem que sempre a tinha tido. Quim Macleod é a prova que se alguém acha que teve um dia fodido, é melhor pensar duas vezes porque ainda não viu nada. 

publicado por Velho Jarreta às 23:58

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