Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Out 08

 

Bob Dyaln foi o maior escritor de canções do século XX. Ponto final, parágrafo.

Em 1974 quebra um ciclo de 8 anos de álbuns medíocres. Pelo menos de acordo com os seus padrões. Inspirado e devastado pelo divórcio que tinha surgido na sua vida, lança Blood On The Tracks. Surgia assim aquela que será provavelmente a mais importante e profunda obra de música popular do nosso tempo sobre o fim de uma relação entre duas pessoas que se amam.

Um retrato confessional de um coração despedaçado em que a única coisa que o preenche são a raiva e a solidão. Dói-nos a alma ao ouvir o seu relato de desespero. E só quem nunca amou ou quem nunca perdeu o amor que teve pode ficar indiferente a tais palavras.

E porque é que eu vos estou a deprimir tão cronicamente com as lamúrias de um gajo que se divorciou à mais de trinta anos? Ainda por cima num blog que deveria ser sobre humor? Tudo bem que ontem empatámos com o Leixões mas também não é caso para tanto. O campeonato vai no início e se deus quiser parar esta onda de lesões ainda vamos bem a …eu peço desculpa, já me estou a afastar do assunto.

A razão é a seguinte. Tanta merda com isto tudo, tanto choro, tanto sofrimento, tanta dor, tanto queixume e quando olhamos para trás nunca nos interrogamos o quão o acaso interfere nestas coisas. Eu sei que queremos sempre dourar tudo isto e dizer que estava tudo destinado. Que alguém escreveu em tinta-da-china num livro mágico o caminho das nossas vidas. Mas se forem bem a ver o busílis da questão, a maioria das coisas acontecem sem que saibamos minimamente porquê. Como canta Mr. Dylan, são meramente simples voltas que o destino nos dá.

“Nada acontece por acaso”, “Não há coincidências.”, “Todos temos o nosso fado.”, “Hoje há pipis.”. Sempre crescemos com estas frases na cabeça, são autênticos dogmas na mente de muita gente. E percebe-se porquê. Dão muito jeito para justificar a maioria dos acontecimentos das nossas vidas. São respostas muito práticas que arrumam qualquer outra questão que nos possa ocorrer. Eu eu nem sequer as estou a por em causa, até porque gosto muito de pipis. O que eu quero é que se questionem das vossas próprias certezas.

E se isto não tiver uma ordem e uma regra e o caos regular as nossas vidas? Pleno de sentimento e vibrante como sempre foi mas sem uma origem já pré-determinada? E se tiveres na tua mão o teu próprio destino e poderes ser aquilo que quiseres, sem desculpas e barreiras?

Damos pouco valor aos acasos mas o que é um facto é que em muitas situações da nossa vida foram pequeníssimas coisas que pensamos não controlar que provocaram mudanças gigantescas.

Se naquele dia, àquela hora, naquele lugar eu tivesse feito aquilo o que seria hoje da minha vida? É uma questão eterna e que não vale a pena nos interrogarmos pura e simplesmente porque é passado. Até porque há uma outra questão muito mais interessante. Se neste dia, a esta hora, neste lugar eu fizer isto o que será a minha vida?

Fica a questão, enquanto o mundo gira com “simples” mudanças no destino de cada um.

 

publicado por Velho Jarreta às 14:09

2 comentários:
Bom texto na minha opinião.
Se bem que goste muito de pipis, sempre achei que o destino somos nós que o fazemos e mesmo as acções mais insignificantes tem um peso enorme na nossa vida.
Embora não o consiga fazer muito bem, levar a vida dia a dia e aproveitar o que ela nos dá é o melhor. Vendo bem, apenas estamos cá de passagem...
Piri a 7 de Outubro de 2008 às 16:17

Acabas-te de me dar uma ideia para mais um texto. Realmente só cá estamos mesmo de passagem. Já dizia o Bill Hicks . Vou agora pegar na deixa. O problema é que ando a fazer muitos textos sérios. Tenho de me dedicar à temática do cocó para ver se isto fica mais ligeiro.
Hasta
Velho Jarreta a 8 de Outubro de 2008 às 17:25

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