Março de 2006 - Janeiro de 2009

10
Set 08

 

A noção de loucura, a par da noção de normalidade, são muito relativas. Vão-se alterando consuante a cultura, o tempo e a forma de estar de uma sociedade.

Antes de mais, note-se que não estou a falar de casos clínicos. A população residente do Miguel Bombarda, Júlio de Matos, Telhal e outros resort's de primeira linha entra noutra categoria. Aquela categoria dos "Completamente fodidos da cabeça." ou do "Ai minha nossa senhora, olhem-me para o estado daquele gajo." ou até "Deus todo poderoso o leve que é uma afronta para a raça humana.".

A loucura de que vos falo é mais aquela em que classificamos alguém que tem um comportamento que nos é estranho ou esquisito. Portanto, mais na onda do "Que cromo do caralho.", "Aquele gajo não joga com o baralho todo." ou ainda o clássico "Deve-lhe faltar algum parafuso.". Ou seja, é doido mas ainda pode andar à solta. Fiz-me entender? Isso é que é preciso.

Mas como definir esta loucura? Será possível personificar ou criar um, tão odiado mas tão útil, estereótipo? Um modelo único para exemplificar a pancada, uma forma universal de personifcar loucura?

Parece-me pouco plausível. Até porque já pensas-te o que estas mesmas pessoas acham realmente de ti? Se forem perguntar a uma daquelas figuras que tu tanto criticas e julgas, o que será que ela acha de ti? Poderá não ter opinião, é certo. Mas também poderá ter um sentimento recíproco. Como te sentes ao imaginar isso?

A primeira reacção seria: "Quero lá eu bem saber o que aquele monte de merda pensa de mim.". Isso seria o primeiro coelho a tirar da cartola. Mas o que sentes verdadeiramente cá dentro ao saber que alguém que tanto desprezas e desvalorizas te acha insignificante ou desprovido de qualquer função válida ou estimulante para a sua vida?

O que tem de mal uma pessoa ser ou comportar-se de forma diferente? Se não te chateia porque ficas tão chateado? O que te enerva no diferente e noutra forma de estar?

Toda a gente se revê nestas questões pela mesma razão. Todos temos preconceitos, todos já adoptámos este tipo de comportamento e já adoptaram este comportamento em nós. Ninguém é totalmente tolerante. Muito menos os que se assumem como tal. Se alguém se mostra como liberal e se assume como tolerante  e amigo de todos, desde a formiga de asas à baleia azul, então é porque é tudo menos isso.

Mas não pensem que eu quero mudar alguma coisa ou que estou a erguer a bandeira da tolerância e da liberdade. Longe de mim de tal batalha. Quando essa guerra despoletar quero estar bem longe de ambas as trincheiras.  Prefiro lutar por mim do que contra alguém.

No fundo quem é louco é quem não é ele mesmo. E meus caros, como todos nós comprovamos, o que não falta para aí são malucos.

publicado por Velho Jarreta às 17:40

Setembro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
13

14
15
16
17
18
19
20

22
24
25
26
27

28
29
30


mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Nº de pessoas presentes
Nº de leitores
free hit counter
hit counter
blogs SAPO