Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Ago 08

 

É sempre bom voltar de férias com uma tremenda paz de espírito e encontrar um país em profundo grau de paranóia. Não é nada de novo, nem nada a que não estejamos habituados. A única coisa que muda de mês a mês é a razão de toda esta histeria.

Os crimes sexuais e raptos de crianças que à bem pouco tempo faziam manchete, não são agora mais do que notas de rodapé. Também parecem estar a cair em desuso as rusgas da Asae e a corrupção no futebol.
A conversa de café do momento é a criminalidade violenta. Para um país onde até à pouco tempo a coisa mais agressiva era discussões no meio do trânsito e caralhadas em jogos de bola a situação parece ter-se alterado drasticamente. De tal forma que qualquer western ou filme apocalíptico parecem o mundo do Noody ao pé da ocidental praia lusitana.
Hoje em dia até parece mal roubar o que quer que seja e não espetar um balázio nos cornos de alguém. E já nem isso é suficiente. Para termos destaque no mundo do assalto é fundamental superar sempre a notícia do dia de ontem.
Podemos facilmente prever que a este ritmo quando chegar o Outono, o telejornal da Tvi abrirá da seguinte forma: “A noite passada jovem degolou a mãe, cortou-a aos bocados e meteu-a num tacho com o simples propósito de fazer arroz de putas. O arroz estava saboroso embora um pouco carregado no sal. Era decerto para puxar à pinga. Agora o desporto.”
As bombas de gasolina que pareciam, devido à subida em flecha do preço do petróleo, que iriam ficar ao abandono são agora pontos de referência em termos de animação de Verão. Ao mesmo tempo à quem goste tanto de caixas multibanco que faz questão de as levar para casa.
O que não deixa de ser curioso é o seguinte. Já reparam que as televisões só nos invadem com todo este tipo de notícias depois de terem recusado o crédito aqueles dois brasileiros naquela agência bancária em Lisboa? Já reparam quantas notícias de desastres de aviões ou problemas técnicos têm existido nos últimos tempos? Curiosamente só desde os trágicos acontecimentos em Madrid?
É bastante curioso realmente. E mais questões se podem colocar. Será a nossa paranóia verdadeiramente fundamentada? Será que temos razões para ter medo ao sair à rua? Será que há o real perigo de sermos assaltados cada vez que entramos num carro? Será que podemos apanhar uma intoxicação alimentar ou até mesmo morrer por comermos uma coisa que não seja devidamente embalada, acondicionada e fiscalizada por seis entidades diferentes? Será que sempre que entramos num avião ou numa carruagem de um comboio corremos risco de vida? Terão os nossos filhos a morte certa por brincarem na rua e mexerem na terra? Estarão as casas de banho públicas infestadas com ébola?
Ou será que toda esta paranóia é outra, bem mais profunda e interior?
Não me cabe a mim responder, pois como já vos disse não tenho resposta para nada. Isso cabe-vos a vocês mesmos. Por muito que vos custe a crer são vocês que têm todas as respostas. Especialmente para a vossa própria paranóia.
publicado por Velho Jarreta às 17:30

comentário:
Muito bom texto para retratar um problema que sofremos de uma forma pessoal...
Concordo contigo quanto á histeria que existe nos últimos tempos, mas a comunicação social tem este poder. Se o números de crimes violentos não fossem passados todos os dias na comunicação social, possivelmente a histeria não se colocava, embora acontecessem sempre, passavam a ser as típicas conversas de café do "sabes o que aconteceu no outro dia ao Jorge ?".
MAs como reflexo de maus governantes e más decisões ao longo dos anos, inevitavelmente o pais bateu no fundo... A única coisa positiva de bater no fundo é que só poderá haver um caminho a seguir, visto que do chão não se passa...

Mas claro que isto só acontece porque o Benfica não tem sido campeão... LOL
Piri a 9 de Setembro de 2008 às 12:16

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