Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Fev 08
                         
Li uma vez que se julgássemos a vida de uma pessoa pelas suas fotografias iríamos ficar convencidos de que foi a pessoa mais feliz de sempre e que teve a vida mais fabulosa de todas. E é verdade. Realmente dá-nos essa sensação. Ninguém tira fotos dos maus momentos. Daqueles em que está triste. Daqueles onde nada nos corre bem e onde parece que estamos num beco sem saída.
É raro até, tirar fotos quando se está só. As fotos mais comuns são habitualmente celebrações de grupo. A família no Natal, aquelas férias de Verão, a ida a tal sitio com tal pessoa. Ninguém quer recordar as dez horas que esteve à espera para ser atendido no centro de saúde, enquanto estava com o aspecto de quem acaba de ser atropelado e com a boa disposição e sentido jovial de um membro da Gestapo. Também não quer emoldurar e pôr em cima da lareira os miseráveis extractos do banco que teve em determinados meses (no caso de algumas pessoas em todos) em que não tinha dinheiro nem para mandar cantar um cego. Nem mandar cantar um cego, nem beber um café, nem pôrra nenhuma. Mais dificuldade tenho ainda em imaginar um abraço de grupo com sorrisos de orelha a orelha no funeral de alguém. Ali todos, ao lado uns dos outros, com o fotografo a dizer coisas como “Vá todos juntinhos para aquecer”, “Olhem para a câmara e apontem para o morto”ou “Agora todos com as coroas de flores ao pescoço”.
Quando revivemos o passado folheando um álbum, as imagens que ficam são as dos grandes momentos. Das ocasiões especiais. Coisas boas, fantásticas recordações. É também curioso ver que se compararmos esses momentos Kodak, parece que todas as vidas são exactamente iguais. Todos celebramos as mesmas ocasiões, os mesmos momentos. Há Carnaval e passagens de ano para toda a gente. Todos fomos a sítios marcantes que nos dão grandes recordações. A Torre Eiffel por traz, as pirâmides pela frente. Todos temos grandes familiares e amigos fabulosos. O meu primo da França, eu e o compincha do Jorge, esse grande maluco. Pessoas que fazem com que a vida tenha sentido. Alguém que nos diz que a nossa existência vale a pena, que somos especiais.
Se não acreditam em nada daquilo que tenho estado a dizer vão à vossa gaveta de memórias dar uma vista de olhos. Ou mais simples, vão ao hi5 . Vão ver que tudo aquilo que eu disse se confirma. É um padrão de comportamento.
E o que queremos transmitir ao mundo? É esta a questão que coloco. Qual a imagem que queremos passar de nós próprios e para quê? Uma coisa sabemos à partida, de originais não temos nada. Mas se não é originalidade o nosso objectivo, qual é ele então? A mentir penso eu que não estamos. À partida aquelas memórias fotográficas são factos reais. Mas pondo a mentira de lado, sabemos ao certo que não estamos a contar a verdade toda. E claro que não. Ninguém quer ver um filme em que a maioria das cenas são rotineiras, maçadoras e sem interesse nenhum. No fundo a vida é em grande parte tudo isso. Mas será que é só isso? Ou será algo mais? Sinceramente não sei. Para mim estou-me a cagar . O que me interessa é o futuro pois o passado não tem nada para mim.
publicado por Velho Jarreta às 01:16

comentário:
Sr. Jarreta (Sr. porque quem escreve assim tem de ser promovido), também penso da mesma maneira mas um pouco mais radical, o presente é que interessa, porque é dai que baseamos o futuro.
Mas manter as fotos dos grandes momentos é revivermos um pouco deles em cada uma que olhamos e verdade seja dita, traz um pouco de paz á nossa alma.
Piri a 29 de Fevereiro de 2008 às 16:52

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