Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Fev 08
Recapitulando o assunto da semana passada. Estava-vos a falar do Johnny Depp e fiquei no ponto em que vos referia que ele não mora propriamente num T2 no Cacém com uma família de brasileiros. Mora sim numa pacata vila, no sul de França perto de Saint-Tropez . E tal como tinha referido não mora sozinho.
Ele partilha a habitação (que decerto será um pré-fabricado em caixilharia de alumínio) com a Vanessa Paradis . A Vanessa Paradis , pôrra . Quando eu era puto tinha uma paixão louca por ela. Quem se lembra da musica Joe Le Táxi”? Um videoclip , muito merdoso por sinal, em que ela aparecia a fazer playback em frente a um táxi amarelo, com uma camisola cor de laranja, enquanto passavam umas imagens de um táxi às voltas em Paris e uns vultos a tocar saxofone. Uma produção muito pobrezinha, mas que para a altura era um espectáculo. Bem, se calhar até para a altura já era uma merda . Mas como, por cá, não havia mais nada, era do melhor. Era francês e tudo. Ui ui coisa fina.
Fosse como fosse, lá estava eu, com os meus nove aninhos, ali a olhar para ela, completamente embasbacado. Ela era linda. Longos cabelos loiros, um olhar penetrante e um doce sorriso. Para não falar que era bem mais velha do que eu. Com os seus experientes quinze anos era já uma mulher madura quando comparada comigo. Quer dizer, na altura até um cão que soubesse ir à rua sozinho tinha mais maturidade do que eu.
Mas a vida muda e nós também. Os anos passaram, eu cresci, aprendi a ir à rua sozinho e quando menos esperava ela voltou. Continuava linda, mas agora era uma mulher. Estava crescida. Cantava em inglês, e com um sotaque perfeito. Os anos de liceu tinham-lhe feito muito bem. E não era só no vocabulário que ela tinha evoluído. Agora já não haviam vultos a tocar saxofone nem taxistas parisienses. Agora sim, já parecia um videoclip a sério. Uma mistura de um visual retro hippie chique com a então actual decadência do movimento grunge . Basicamente era também uma merda sem jeito nenhum, mas como ela aparecia toda descascada e a música era porreira, era muito bom.
Mas à parte de tudo isto, devem ser muito felizes. Têm a vida perfeita, com a casa perfeita, com os filhos perfeitos e com a companhia perfeita. Pelo menos todos gostamos de pensar assim, apesar de sabermos que a perfeição não existe. É o conto de fadas da era moderna. É a alegoria da caverna de Platão revista e actualizada com ilustrações a cores e um dvd de extras. E é um produto que vende sempre bem, pois no fundo, mesmo que não se admita, todos procuramos as nossas Vanessas e os nossos Johnnys . Seja de que maneira for.
É que, enquanto alguns recordam os momentos, já bem distantes, em que a realidade e a ficção eram difíceis de distinguir e vivem a vida que vale a pena viver. Outros esperam pacientemente à lareira que o Pai Natal chegue com a recompensa pelo seu vão sacrifício. Se abrissem os olhos iam-se aperceber que ninguém é perfeito mas alguém é perfeito para nós.
publicado por Velho Jarreta às 01:13

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