Março de 2006 - Janeiro de 2009

19
Dez 07

Como é Natal ocorreu-me reflectir sobre um dos seus maiores símbolos. Não estou a falar nem das filhoses nem da reposição do “Sozinho em Casa”. Estou sim a falar do presépio.
Um presépio não é mais que um curral ou um estábulo. Basta pegar num dicionário para ver que basicamente não passa disso. Por muitos eufemismos que lhe atribuam não passa de um barraco onde todo o tipo de bicheza caga , come, mija e fode . Tudo isto decorado com montanhas de bosta e um nevoeiro de moscas que fazem parecer o Barreiro um local agradável para se viver.
A utilização deste cenário como maternidade é tão correcto e higiénico como abrir uma loja de produtos biológicos na lixeira da Amadora. O velho hábito de dar uma palmada no rabo do puto, fazendo-o chorar para que este acorde para a vida, é algo de redundante. O próprio ambiente cria a situação. Assim que um gajo nasce, é brindado com um cheiro a merda que até nos entope as narinas. Ainda por cima ainda nem sabemos falar, nem podemos libertar um palavrãozinho sequer, de modo a exprimir toda a nossa raiva. Chorar é um mínimo de indignação tendo em conta aquilo que se vive.
É acima de tudo muito azar. Um gajo que nasça num curral, perdão presépio, é muito mau presságio. É incontornável. É um abismo abaixo do limiar da pobreza. E quando se atinge este nível de degredo o que é que aparece? Caridade. No caso de Jesus Cristo apareceram os três Reis Magos. E como toda a caridade, não resolve pôrra nenhuma. Para que quer um gajo com horas de vida ouro, incenso e mirra? Se ainda trouxessem toalhas lavadas, um biberão com leite quentinho e um dvd do Noody ainda tinham alguma utilidade. E o que raio é mirra? Aposto que ninguém sabe. Receber mirra como prenda só é equivalente àqueles embrulhos que sonhamos ser um maço de notas de 500 euros e que afinal são um par de meias de lã aos losangos.
O mais curioso é que o presépio pode ser tudo isto mas onde é que é colocado? Debaixo de um pinheiro travesti e ao lado de uma mesa que tem comida suficiente para alimentar o quádruplo das pessoas presentes na sala. É gozar com os pobres, só pode. Está uma família que nem tem onde cair morta, que tiveram de ter o filho num estábulo, perdão presépio, cheios de fome com três reis que se dizem magos porque lá chegaram por ir a olhar para uma estrela, com ofertas sem interesse nenhum, e o que vêem eles durante mais de quinze dias? Gente a enfardar, a encher a pança como se não houvesse amanhã. Francamente, não se faz nem a estátuas de barro.
Um Bom Natal para todos.

publicado por Velho Jarreta às 01:37

2 comentários:
O incenso ainda se compreende, é pa ver se disfarça o cheiro a merda que o pobre do rapazola teve de levar mal nasceu.

O ouro é pa ver se os pais compram uma casinha de jeito po menino.

A mirra...(depois de consultar o dicionário: planta medicinal burserácea das margens do Mar Vermelho;
goma-resina olorosa e balsâmica extraída dessa e de outras plantas.) parece-me que era a aspirina da altura.

Bom Natal, ou mlhr, bom enchimento da pança.
Tiago Parracho a 19 de Dezembro de 2007 às 09:57

Fabuloso!!!

Bjs
Marta
Marta Baltazar a 27 de Dezembro de 2007 às 19:47

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