Março de 2006 - Janeiro de 2009

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Jan 07

Como todos sabem, aproxima-se a data do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, vulgarmente conhecida como aborto. E eu estou-me bem a cagar para isso, e não sou o único. Muito sinceramente, algum de vocês vai ver o seu "dia de amanhã" alterado quer ganhe o sim ou o não? Não é de estranhar que a abstenção atinja, ou mesmo supere, os valores atingidos no passado. No fundo todos sabemos que vai ficar tudo na mesma. Se alguém acha que esta questão é das mais importantes para o futuro da nação é porque não deve ter mais nada com que se preocupar.

Imaginemos que o aborto é legalizado. Todos conhecemos o funcionamento do sistema de saúde português. Se alguém quiser abortar, marca a respectiva consulta e quando for atendido o puto já entrou para a faculdade. É indiferente se é legal ou não, aliás neste país mais facilmente se consegue uma coisa pela "porta do cavalo" do que de forma correcta e justa. O que é mais fácil obter em Lisboa às 3 da manhã um prato de sopa ou doze tipos de drogas diferentes? Pois é, já perceberam onde quero chegar.

Fazer um aborto legal não custa nada. Basta agarrar no carro e deslocar-se até ao mundo civilizado, vulgarmente conhecido como Europa, especificamente Espanha, e logo em Badajoz despacha-se o assunto sem que ninguém saiba de nada. Tratamos de tudo, dizemos que fomos de fim-de-semana comprar caramelos, largamos uns euros, para uma mulher ser tratada com os cuidados que um vão de escada na Almirante Reis não pode proporcionar, e está feito. Ainda chegamos a tempo de ir à missa de domingo afirmar convictamente que quem o faz são uns criminosos que deveriam estar enjaulados.

Estar a discutir se o aborto deve ser legal em Portugal, em pleno século XXI, faz tanto sentido como discutir o direito de voto das mulheres, a abolição da escravatura, se o Toni devia voltar a treinar o Benfica ou se a Terra é redonda. São questões ultrapassadas. Por esta altura já nem se deveria falar sobre o assunto, deveria ser algo dado como certo, em que a vontade de cada um determinaria o que fazer. Mas não, e para piorar mais as coisas ainda se vai perder tempo com referendos.

Com este vão em três, dois deles sobre a mesma coisa. O outro foi sobre algo que nunca ninguém soube o que era e ouvi dizer que já estava, e por lá vai ficando, na Constituição. Já que se gasta tanto dinheiro a consultar os portugueses será que não têm nada de verdadeiramente importante a perguntar? Porque é que não me perguntam o que acho do desemprego, da falta de segurança, da eficiência dos transportes públicos , da qualidade do meio ambiente, do ensino em Portugal, do lixo nas ruas, do estado da justiça e da justiça do Estado? Isso sim são coisas que mexem com a minha vida, agora o aborto quero lá bem saber. Se nem a maioria das mulheres portuguesas vai votar, e são elas as principais envolvidas em tudo isto, porque raio é que eu me hei de interessar?

Em todo caso, nem que seja por descargo de consciência , lá estarei a votar. Mas prometo que é ultima vez que já estou cansado de viver no passado.

publicado por Velho Jarreta às 00:15

3 comentários:
Já ouvi dizer que há sitios que na compra de 3 drogas diferentes te oferecem a sopa e se conheceres o dealer levas um pão com chouriço...
Relativamente ao aborto, a conversa do costume e focaste um ponto interessante...Se para uma operação cirúrgica importante para a saúde de alguem, a mesma demora meses para ser realizada imagino casos de aborto... Enfim...
Piri a 31 de Janeiro de 2007 às 14:12

Vou ser mto sucinto. O referendo nunca devia existir. Para o bem ou para o mal o sistema de saude Portugues tem de ter a porta aberta para todo e qualquer tipo de problema de saude e quem faz um aborto, de certeza que nao faz de animo leve pois de certeza que essa mulher sendo bem ou mal acompanhada vai ter sempre, mas sempre problemas de consciencia. O referendo acaba por ser uma hipocrisia, mto mais facil seria aprovar a lei e ponto final. Nao falamos numa questao de etica ou moralismo, falamos na saude e bem estar duma mulher que de certeza que tem um motivo mto forte para ter de abortar. So mais um aspecto, enoja-me quem ainda diz que nao. O aborto ira sempre existir, sempre, entendam isso duma vez.
Tovarish a 2 de Fevereiro de 2007 às 14:22

E quem fala assim não é gago !!!!
Apenas teve varicela !!! LOL
Piri a 2 de Fevereiro de 2007 às 16:27

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